Convocatória aos lutadores e lutadoras do povo

A atual conjuntura e seus desafios

A conjuntura não tem sido favorável às posições políticas identificadas com a alternativa revolucionária da libertação nacional e do socialismo em nosso país. Se por um lado a mídia neocolonial tem sido implacável, por outro as organizações sociais e políticas do campo popular e classista não tem conseguido enfrentar essa realidade. As chamadas condições objetivas para a transformação social estão presentes no dia a dia. É cada vez mais difícil para a classe dominante “governar” o atual modelo econômico sem deixar claro que este favorece a uma minoria e ao capital internacional. A cada dia se aprofunda a exploração e aumenta a exclusão social e o desemprego. As manifestações de rebeldia da juventude e das populações marginalizadas – canalizadas para o crime e as drogas – se somam as ações dos sem-terra e sem-teto e a crise de credibilidade das instituições burguesas (eleições, parlamento, estado, leis, etc.)

Porém, ao observarmos os movimentos sociais e políticos do campo popular e classista no Brasil constatamos que não existem estratégias sólidas e convergentes que permitam construir uma agenda política que aponte alternativas e saídas práticas para as necessidades concretas das maiorias exploradas. Neste aspecto segue sendo hegemônica a ilusão com a democracia burguesa representativa, suas eleições e os governos e espaços parlamentares que dela advém. Uma lógica que não aposta na atividade consciente e protagonica dos movimentos sociais e políticos e que não leva em conta a necessidade de articular as reivindicações imediatas particulares com estratégias gerais que apontem para muito além das eleições e ou dos governos que dela possam surgir. Com isso se fortalecem o eleitoralismo e a luta por cargos burocráticos que mascaram a opressão política do sistema e fortalecem o liberalismo e o reformismo.

As poucas organizações sociais e ou políticas que tentam romper com essa linha hegemônica optam por um “movimentismo” que desarticula e pulveriza os interesses e reivindicações concretas da luta surda ou aberta do povo trabalhador contra as classes dominantes. Apostam todas as suas energias em “campanhas cidadãs”, fora do alcance dos interesses concretos e da compreensão critica do povo trabalhador. Campanhas, atos e movimentos que viram um fim em si mesmos, se afastando da realidade concreta cotidiana das maiorias exploradas e excluídas, contribuindo para o esvaziamento das lutas gerais e com o desarme ideológico do povo trabalhador e suas organizações sociais e políticas. Esse voluntarismo “movimentista” demonstra o não entendimento, por parte dessas organizações, que o fato do povo trabalhador ser o protagonista, a força que fará as transformações sociais, não significa descartar a necessidade de conquistar nesse processo de luta a unidade política em torno a um programa comum e a uma organização comum para conseguir sua aplicação.

Com isso não percebem o imenso vazio que representa a ausência de uma organização política que, articulada nacionalmente, denuncie as tramas da ordem opressora, suas expressões concretas dentro do processo de luta e construção da revolução brasileira e estimule em todas as suas formas “a luta por um outro poder”. Com isso comprometem transformações de tipo qualitativo, protagonizadas por amplos setores da população em todo o país, a partir de experiências de organização e luta inseridas em objetivos políticos de âmbito nacional que apontem para o fortalecimento de uma grande força social e política, independente dos interesses que hoje sujeitam o país e capaz de atuar cada vez mais como um segundo poder, enfrentando em todos os terrenos o poder dos interesses estrangeiros e dos grupos dominantes.

Construir a unidade do campo popular e classista e a hegemonia revolucionária

Para forjar a unidade do campo popular e classista necessitamos de um programa adequado aos interesses de setores sociais muito diversos que compõem o povo trabalhador e uma organização política ampla, que possa dar estruturação para a luta desses setores. No tocante a organização política necessária, a forma mais adequada é a frente política, que por seu programa e composição definimos como uma frente antiimperialista identificada com a luta de libertação nacional e o socialismo.

Para forjar a unidade do campo popular e classista é necessário em nosso país a frente política e para forjar a condução revolucionária dessa frente também se necessita de uma ferramenta para enfrentar a questão da hegemonia. Dela depende que se avance realmente no caminho em direção ao socialismo ou que, sem condução adequada, todo o processo perca o sentido e a viabilidade. Sem definirmos a hegemonia não se chegará a libertação nacional e ao socialismo. Esse desafio exige um centro político com os olhos e os pés fixados nos movimentos e organizações sociais e políticas do campo popular e classista e na construção da frente antiimperialista que as unifique em torno de um projeto nacional das maiorias. Uma organização política dos lutadores e lutadoras identificados com a alternativa revolucionária do socialismo que seja orgânica à frente, expressando na mesma os interesses históricos da classe operária na revolução brasileira. Uma organização política revolucionária de novo tipo, com um nível de definição e organização mais profundo, com capacidade de impulsionar a construção das organizações populares de base, embriões do futuro poder popular e lutar de forma conseqüente desde o inicio pela orientação política da frente antiimperialista. Um instrumento que não coloque em risco a possibilidade de existência da frente, neutralizando o dogmatismo e o sectarismo e garantindo, com sua atuação prática e teórica, um espaço de hegemonia para quem seja vanguarda nas posições mais radicalmente possíveis em cada momento.

Concebemos a frente e a organização política dos revolucionários como ferramentas (e não como fins em si mesmo), assim como, está em aberto a flexibilidade das formas orgânicas que estas podem tomar. Olhando a atual conjuntura política brasileira não vemos em nenhuma das organizações políticas e sociais realmente existentes, instrumentos políticos com idéias e praticas políticas que assumam plenamente esse projeto político.

Muito falta até contarmos com uma frente antiimperialista e com uma organização política dos revolucionários, que possam plenamente satisfazer as características assinaladas e, seria um erro grave supor que o estado atual dos instrumentos forjados pelo povo trabalhador é o ponto superior a que podemos aspirar. Por outro lado temos na esmagadora maioria das organizações e movimentos sociais e políticos do campo popular e classista lutadores e lutadoras sociais insatisfeitos com as linhas políticas hegemônicas em suas organizações e identificados com a urgência de enfrentar o desafio de construir uma organização política com essas características.

A luta pela frente e a construção da organização política revolucionária

 Estamos, portanto, no processo de luta por essa frente e de propor a construção da organização política revolucionária. Um processo dinâmico que pode ter muitos avanços e retrocessos, como síntese das lutas em cada momento histórico, que devemos interpretar corretamente, momento a momento, para avançarmos. Para nós o primeiro passo nesse caminho é construir essa organização política dos revolucionários como um centro político que resgate de forma critica toda a experiência histórica e política de todas as tradições revolucionárias do campo popular e classista, tanto nacional como internacional com o objetivo de combater o desarme ideológico do povo trabalhador através de um processo de refundação prática e teórica do pensamento revolucionário brasileiro.

Uma renovação criativa no sentido mais profundo do termo, assumindo a centralidade da atitude de reivindicar o passado de lutas do povo trabalhador como uma referência para a retomada do fio da história das lutas por um projeto histórico nacional das maiorias e não como um modelo ou programa. Uma refundação que se identifique profundamente com o legado histórico nacionalista, popular e antiimperialista que se expressou nas lutas bolivarianas de independência coloniais da América Latina, que passa pelas lutas identificadas com Tupac Amaru, Abreu e Lima, José Marti, Sandino, Farabundo Marti, Zapata, Artigas, Mariategui, Perón, Getulio, Jango, Prestes, pelas várias tentativas continentais e regionais de unidade e chega a grande retomada dos ideais bolivarianos em nossa América a partir de 59 com o triunfo socialista da Revolução Cubana. Um legado que no Brasil se identifica com o processo histórico que desemboca na luta pelas Reformas de Base na década de 60 do século passado e que é “travado” pelo Golpe militar de 64.

Um momento histórico, contemporâneo a Revolução Cubana e de um profundo ascenso das lutas populares, onde lutadores e lutadoras sociais – comunistas, socialistas e nacionalistas revolucionários das mais variadas organizações de esquerda – iniciaram um embrionário processo de construção de uma vanguarda compartida da revolução brasileira em torno ao jornal Panfleto editado por Leonel Brizola. A partir desse instrumento constituiriam os denominados “grupos de onze” mobilizando e organizando a defesa das Reformas de Base, sustentando e aprofundando as lutas por uma democracia popular avançada, capaz de, num curto espaço de tempo, abrir caminho para o poder popular e para o socialismo.

Uma organização política que reconheça que a garantia em ultima instancia de qualquer processo revolucionário no Brasil passa pelo desenvolvimento de uma estratégia continental que articule as lutas de todos os povos da América. Uma estratégia de integração continental que, no atual momento histórico, se vincule com as experiências de Cuba, Venezuela, Bolívia, Equador que tem mobilizado os corações e as mentes de lutadores e lutadoras de todo os países latino-americanos e demonstram que Nossa América mais do que um continente é um espaço social e cultural, uma memória de luta comum, que tem se rebelado abertamente contra o império das corporações transnacionais, o neoliberalismo e suas máquinas de morte.

Assumindo o compromisso de contribuir com o enfrentamento desse desafio estamos convocando lutadores e lutadoras do povo trabalhador do campo e da cidade de todo o Brasil para se somar na construção do Movimento Revolucionário Nacionalista MORENA – Círculos Bolivarianos, uma organização política revolucionária, que se define como bolivariana, guevarista e brizolista e que fundamenta na teoria marxista sua visão crítica e revolucionaria.

 

Pátria, Socialismo ou Morte! Venceremos!

12 Respostas para “Convocatória aos lutadores e lutadoras do povo”

  1. Rodrigo André de Carvalho Disse:

    Sou revolucionário, isto é o mais importante! Ser revolucionário! Devemos apoiar todo movimento revolucionário de esquerda! Apoio os revolucionários do Equador, da Venezuela, da Bolivia e claro de Cuba, sem esquecer os de Nicáragua. Estou morando em Aracaju SE, todos os revolucionários próximos vamos nos unir!!!!1

  2. Eduardo Pinho Disse:

    Chegará o dia em que uma massa critica da população do Brasil finalmente se levantará contra os opressores, exploradores e assassinos do povo e para isso precisamos nos organizar e nos unir com todos que querem mostrar as contradições, a dependência do Brasil e a possibilidade e necessidade de superar o capitalismo e marchar rumo a uma sociedade soberana, igualitária, solidária e livre.
    construido mais um instrumento pela revolução e pelo socialismo no brasil com todos que entendem que não há dogma certo, que só juntos somos fortes e que nossa luta dentro do Brasil é a luta do povo latino-americano e de todos os povos oprimidos do mundo!
    que todos nos unamos em uma só luta:
    Socialismo ou morte!!!
    VENCEREMOS!!!!

  3. vanessa Disse:

    Gostaria de possuir uma mão invisível – talvez muitos também gostariam – contrária a d mercado – tantos morreram e morrem a cada dia, mesmo vivos.
    Não deixando de dar importância e acreditar no papel e na força empenhada por cada cidadão na tentativa e busca de alternativas que possam amenizar as desigualdades, oferecendo aparatos para oportunizar minorias.
    Este texto acima, oferece plausiva luz de uma lucidez encontrada na teórica vontade e necessdidade de encerrar esse parodoxal sistema que nos leva a confrontarmos uns com osoutros, mesmo com objetivos comuns: as diferenças históricas de vida e valores que nos dão campos diversos de atuaçãoe ideologias.

    Socialismo e Vida!

  4. Wladimir Disse:

    Ficou muito bom o site, estamos evoluíndo isto é o mais importante. Diferente do Lions e do rotary clube que se unem no La mole da Tijuca toda terça-feira para continuar a manter a exploração do povo, nós nos reunimos e nos envolvemos pela vida, pela liberdade, por uma nova sociedade…um dia iremos parar assistir filmes norte-americanos na tele quente, será dada preferência a produção nacional, refletiremos sobre nossa realidade…as rádios e os jornais não comentarão as notícias de maneira fascista colocando irmãos contra irmãos, os jovens não serão bestializados e transformados em máquinas idiotas de consumo desenfreado, drogados, prostituídos por seus valores medíocres, sem rumo…serão desenraizados porra, chegou de continuar o sonho do velho brizola, montaremos um governo estruturado no príncipios de vargas e prestes… desenraízaremos e lutaremos coletivamente. Pátria livre…Venceremos

  5. Nhora Cecilia Baez Gomez Disse:

    buenas compañerosa y compañeros desde la tierra de Bolivar reciban un saludo solidario y revolucionario, como fundadora de los Circulos Bolivarianos en este Pais les comento que me siento muy orgullosa que este movimiento social se haya extendido por el mundo y que ahora este logrando el objetivo planteado en su inicio. la espada de Bolivar se encuentra haciendo y construyendo la patria que soñamos America es grande y l@s latinoamerican@s tendremos la patria grande libre y revolucionaria que alguna vez soño Bolivar. les felicito por la constancia los Circulos Bolivarianos son organizaciones de lucha y corte popular creada para unir los pueblos con los sueños de nuestro Libertador . por eso me siento muy orgullosa de ver que los frutos estan dando resultados SOLO DESEO PREGUNTAR COMO SE PUEDE PARTICIPAR DE ESTE EVENTO ….Adelante no deSmayen en sus metas,,,,y HASTA LA VICTORIA SIEMPRE…
    PATRIA SOCIALISMO O MUERTE…….VENCEREMOS

  6. Luiz Cláudio Ferreira Barbosa Disse:

    Forever Young
    Bob Dylan

    Que Deus te abençoe e te acompanhe sempre,
    Que seus desejos se tornem realidade,
    Que você sempre faça para os outros
    E deixe que os outros façam por você.
    Que você construa uma escada para as estrelas
    E suba cada degrau,
    Que você fique jovem para sempre,
    Jovem para sempre, jovem para sempre,
    Que você fique jovem para sempre.

    Que você cresça para ser justo,
    Que você cresça para ser verdadeiro,
    Que você sempre saiba a verdade
    E veja as luzes ao seu redor.
    Que você seja sempre corajoso,
    Fique em pé e seja forte,
    Que você fique jovem para sempre,
    Jovem para sempre, jovem para sempre,
    Que você fique jovem para sempre.

    Que suas mãos estejam sempre ocupadas
    Que seus pés sejam sempre rápidos
    Que você tenha uma base forte
    Quando os ventos das mudanças voltarem.
    Que o seu coração seja sempre feliz,
    Que sua canção seja sempre cantada,
    Que você fique jovem para sempre,
    Jovem para sempre, jovem para sempre,
    Que você fique jovem para sempre.

    PS: Sim, ainda sou jovem por dentro para lutar contra os poderosos.

  7. RENAN COSTA Disse:

    É preciso multiplicar junto as massas esse tipo de informação. Parabéns pelo site e saudações socialistas a todos os companheiros e companheiras do circulo bolivariano.

  8. Ricardo Felix Disse:

    Gheguei! E tinha de chegar, horrivelmente com las perras! O compa Xulé conclama a todos os compas à abolição das vaidades pessoais como antes de nós fizeram tarefeiros do Socialismo que vieram antes de nós; uns tais caras como Tupac Amaru- José Mari-Sandino e umtal de Simon, que partiram do Ora para Ação. Sim com simplicidade de alma e trato com os outros seres homanos, seus (deles) e nossos semelhantes nos deixaram uma Pátria Grande, América Latina A LA LUCHA! HASTA LA VICTÓRIA SIEMPRE ! compa Xulé

  9. ROLDÃO BRAGA RIBEIRO Disse:

    PRECISAMOS CONSEGUIR UM PROJETO DE EDUCAÇÃO REVOLUCIONARIA DENTRO DAS ESCOLAS, COLOCANDO O CIDADÃO COMO UM AGENTE CRÍTICO DE MUDANÇA.
    OS DETENTORES DO PODER DIZ QUE O PAÍS É DEMOCRATICO ENTÃO VAMOS NOS ORGANIZARMOS PARA VER SE DE FATO ESTE PAÍS É MESMO DEMOCRATICO.

  10. daniel Disse:

    Saudações companheiros revolucionários.
    Venho fazer uma convocação para a luta de resistência contra a política fascista e criminalização da pobreza executada por Paes, Cabral e Lula, chamada de CHOQUE DE ORDEM. No dia 18 de agosto será realizado um ato em frente à Prefeitura organizado pelo FÓRUM CONTRA O CHOQUE DE ORDEM, agregando trabalhadores informais, moradores de ocupações sem-teto, estudantes e todos aqueles revolucionários compromentidos com a luta. O ato terá inicio ao meio dia. Contamos com os companheiros do MORENA que, como em outras oportunidades, estão na luta. Saudações revolucionárias e até a vitória. TODOS AO ATO!!!

  11. Sergio Carvalho Disse:

    Boa noite;
    Muito boa a entrevista que li no Fazendo Media.
    Espero conhecer melhor, pois senti saudades do Leonel Brisola e ate do Fausto Wolf.
    As sociedades de classe vencerão ate dos partidos politicos.
    Temos de ir a luta.
    Saudações Boliviriana

  12. Felipe Trigueiro Disse:

    Apoiadíssimo!!
    Saudações Socialistas Bolivarianas!!

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